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Mostrando postagens de junho, 2017

The black nod, representatividade e o poder da beca

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Tenho o hábito de andar olhando para o chão, fingindo que estou mexendo no celular ou procurando alguma coisa na bolsa. É uma estratégia arquitetada desde muito cedo, conhecida e utilizada por praticamente qualquer mulher que deseje evitar olhares e assédios diários. Quando me mudei para NY, o hábito foi junto, mas fui chamada para observar um "fenômeno" inédito até então. Homens negros, que não são amigos ou sequer se conhecem, acenam com a cabeça e continuam a vida normalmente.  Da minha pesquisa empírica, deu para sacar que é um gestual entre dois homens negros e acontece em lugares onde negros são minoria. Mulheres não acenam, mas dão um sorriso de canto de boca, muito raramente. Aparentemente, it's a guy thing, mas já recebi nod acompanhado de bom dia por alguns. Só depois de um tempo fui descobrir que o nod is actually a thing. O artigo de Musa esmiuça o fenômeno muito bem e explica o que qualquer negro já sabe: " For a black person, there are some area...

Moradia - Vivendo no campus

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É difícil explicar para os amigos que morar em Nova York não é viver a vida de Carrie Bradshaw, especialmente quando se vai com bolsa e dinheiro contadinho. Não teve glamour, mas teve muito aprendizado e choque cultural. Assim que descobri que fui aceita em Teachers College, corri para colocar meu nome da lista de acomodação. A faculdade dá a opção de três prédios residenciais: Whittier, New Residence e Bancroft. Todos os prédios oferecem opções variadas, de dormitório a apartamento completo, e os preços variam na proporção. Como a procura pela residência estudantil é alta, criaram um processo seletivo online para se candidatar a um dos quartos/apartamentos. Paguei $30 para colocar meu nome na lista e selecionar os quartos que gostaria de escolher, por ordem de preferência. De acordo com a minha bolsa e com o que eu estava disposta a gastar, pedi para ficar no Whittier Hall, em um single dorm, dividindo banheiro e cozinha com o andar. O pagamento era feito no início de cada s...

Preparação para a candidatura II: TOEFL

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Para qualquer universidade americana, os candidatos internacionais precisam comprovar seu nível de proficiência em língua inglesa. A exceção se aplica (na maioria dos casos) para quem já tiver completado high school ou college em uma instituição que tenha inglês como língua oficial. A prova com maior grau de aceitação nos Estados Unidos é o TOEFL. Algumas universidades também aceitam o IELTS como alternativa. Tanto o TOEFL quanto o IELTS não seguem o esquema "pass/fail", mas te dão pontuações, que podem atender ou não aos requisitos das instituições. Por exemplo, o Teachers College, em Columbia University, pede 100 pontos para o TOEFL iBT, 600 para o iTP e 7.0 para o IELTS. Porém, os cursos de TESOL e Linguística Aplicada têm uma cobrança mais rigorosa: Fonte: http://www.tc.columbia.edu/arts-and-humanities/applied-linguistics-tesol/admissions/ A Columbia School of Journalism pede notas ainda maiores: 114 pontos no TOEFL iBT e 8.0 no IELTS.  Cada ...

Preparação para a candidatura I: Escolhendo as universidades

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A preparação de candidaturas para universidades americanas é um teste de paciência  e determinação. As etapas demoram, os textos cansam e chega uma hora que você se pergunta se tudo o que você está fazendo valerá à pena. Ansiosos de plantão, essa será uma prova de que o coração de vocês está saudável.     Só que bem antes de arrumar a papelada, fazer os testes, pedir as recomendações, vem a parte mais importante de todo o processo: escolher a(s) universidade(s). Conheço quem tenha tentado apenas uma e quem tenha tentado dez. Cada um tem a sua estratégia e a sua lista de prioridades. Com muita leitura e estudo, foi assim que ficou a minha lista: 1) Como vou pagar meus estudos? Isso já eliminou a grande maioria. Eu só poderia começar a sonhar com estudar fora se conseguisse meus estudos custeados de alguma forma. As universidades podem te dar uma bolsa ou podem te oferecer uma vaga como TA (Teaching Assistant) ou GA (Graduate Assistant). Nesse caso, sua tuition ...

Começando os trabalhos

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Olá! Sou a Taísa, carioca, professora de inglês e português, apaixonada por viagens e desafios. Estou abrindo um espaço com a vontade de compartilhar um pouco das minhas experiências pessoais, acadêmicas e profissionais dos últimos dois anos. Saí do Rio de Janeiro com destino à Nova York em 2015 para começar o mestrado em Educação, Ensino e Liderança, em Columbia University. Retorno ao Brasil com muita coisa no peito e a cabeça repleta de ideias. Dentre muitas estranhezas, sinto-me um pouco estrangeira, como se tivesse deixado um pedaço de mim lá no hemisfério norte. Ao mesmo tempo, sinto que trouxe bastante coisa nas costas e o desafio da vez está em encaixar esses dois lados que, a princípio, me parecem tão separados. Um dos fatores que mais me impulsionou buscar oportunidades de crescimento fora do Brasil foi ler a história de pessoas que se pareciam comigo, que trilharam caminhos parecidos com o que eu escolhi e conseguiram. Representatividade é tudo , em todos os aspectos. N...